À MINHA MULHER

By Laurindo José da Silva Rabelo

Lembranças do nosso amor

Da morte o sopro gelado,

Não me apagando a existência,

No coração com veemência

Sinto seu passado apressado.

Ai quando, bem adorado,

Minha alma daqui se for,

Disfarça teu dissabor,

Resiste à força veemente,

Mas nunca risques da mente

Lembranças do nosso amor.

Nada tenho que deixar-te

De fortuna nem de glória,

Nada me aponta a memória

Que possa morto legar-te;

Se nada deve ficar-te

Mais que saudades e dor,

Bálsamo consolador

À dolorosa ferida

Hão de ser-te nesta vida

Lembranças do nosso amor.

Lembrar um bem adorado

Na dor da saudade ausente,

É mesmo sê-lo presente,

Inda que seja passado.

Ser por ti sempre lembrado,

Como em vida morto for,

Por influxo encantador

Deste mistério profundo,

Hão de ser-te nesse mundo

Lembranças do nosso amor.