A MINHA RESOLUÇÃO

By Laurindo José da Silva Rabelo

O que fazes, ó minh’alma!

Coração, por que te agitas?

Coração, por que palpitas?

Por que palpitas em vão?

Se aquele que tanto adoras

Te despreza, como ingrato,

Coração, sê mais sensato,

Busca outro coração!

Corre o ribeiro suave

Pela terra brandamente,

Se o plano condescendente

Dele se deixa regar;

Mas, se encontra algum tropeço

Que o leve curso lhe prive,

Busca logo outro declive,

Vai correr noutro lugar.

Segue o exemplo das águas,

Coração, por que te agitas?

Coração, por que palpitas?

Por que palpitas em vão?

Se aquele que tanto adoras

Te despreza, como ingrato,

Coração, sê mais sensato,

Busca outro coração!

Nasce a planta, a planta cresce,

Vai contente vegetando,

Só por onde vai achando

Terra própria a seu viver;

Mas, se acaso a terra estéril

Às raízes lhe é veneno,

Ela vai noutro terreno

As raízes esconder.

Segue o exemplo da planta,

Coração, por que te agitas?

Coração, por que palpitas?

Por que palpitas em vão?

Se aquele que tanto adoras

Te despreza, como ingrato,

Coração, sê mais sensato,

Busca outro coração!

Saiba a ingrata que punir

Também sei tamanho agravo:

Se me trata como escravo,

Mostrarei que sou senhor;

Como as águas, como a planta,

Fugirei dessa homicida;

Quero dar a um’alma fida

Minha vida e meu amor.