A minha terra
Que sublime panorama
a meus olhos se apresenta!
Quem não presa, quem não ama
o quadro que ali se ostenta!
As montanhas elevadas,
de plantações adornadas,
cobertas de cafezais,
se retratam na baía,
mostrando a leda poesia
dos seus risonhos casais!
Minha terra é pequenina,
porém não conta rival!
Tenho a prova na colina,
do vale do Pantanal!
Ali, das verdes campinas
de aveludado matiz,
níveas rosas campesinas
esmaltam o lindo tapiz.
E nas penhas infinitas,
que formosas parasitas!
que lindas mimosas flores
debruçadas sobre a relva!
Morenas filhas da selva
cismando nos seus amores!
Minha terra é pequenina,
porém não conta rival!
Tenho prova na colina
do vale do Pantanal!
À sombra das laranjeiras,
que vergam de fruto ao chão,
singelas moças fagueiras
cantam, fiando algodão.
Ali — o bosque frondoso
aonde busca repouso
o cansado lavrador;
além... silêncio! escutemos
ao bater dos remos
os cantos do pescador
Minha terra é pequenina,
porém não conta rival!
Tenho a prova na colina
do vale do Pantanal!
Na verde balsa escondido
suspira arroio queixoso;
desprende um canto sentido
o sabiá mavioso.
Ecoa a voz lamentosa
da meiga rola saudosa
no vale escuro da serra,
e, docemente, nos mares
repete a onda — pesares
dos ecos da minha terra!
Minha terra é pequenina,
porém não conta rival!
Tenho a prova na colina
do vale do Pantanal!
Como é belo, ao meio-dia,
passando nestas devesas
ouvir cantar de alegria
as ditosas camponesas!
Pelos tesouros maiores
eu não trocara os primores
dos meus formosos sertões,
que os matizes deste prado
são mais ricos que o brocado
dos suntuosos salões!
Minha terra é pequenina
porém não conta rival!
Tenho a prova na colina
do vale do Pantanal!
Minha terra tem poesia
quando rompe a madrugada,
à hora do meio dia
e quando a tarde é chegada.
Na Primavera, no Estio,
se o tempo é límpido e frio,
se as noites não têm luar,
e quando a lua saudosa
retrata a face mimosa
no claro espelho do mar!