A minha terra

By Delminda Silveira de Sousa

Que sublime panorama

a meus olhos se apresenta!

Quem não presa, quem não ama

o quadro que ali se ostenta!

As montanhas elevadas,

de plantações adornadas,

cobertas de cafezais,

se retratam na baía,

mostrando a leda poesia

dos seus risonhos casais!

Minha terra é pequenina,

porém não conta rival!

Tenho a prova na colina,

do vale do Pantanal!

Ali, das verdes campinas

de aveludado matiz,

níveas rosas campesinas

esmaltam o lindo tapiz.

E nas penhas infinitas,

que formosas parasitas!

que lindas mimosas flores

debruçadas sobre a relva!

Morenas filhas da selva

cismando nos seus amores!

Minha terra é pequenina,

porém não conta rival!

Tenho prova na colina

do vale do Pantanal!

À sombra das laranjeiras,

que vergam de fruto ao chão,

singelas moças fagueiras

cantam, fiando algodão.

Ali — o bosque frondoso

aonde busca repouso

o cansado lavrador;

além... silêncio! escutemos

ao bater dos remos

os cantos do pescador

Minha terra é pequenina,

porém não conta rival!

Tenho a prova na colina

do vale do Pantanal!

Na verde balsa escondido

suspira arroio queixoso;

desprende um canto sentido

o sabiá mavioso.

Ecoa a voz lamentosa

da meiga rola saudosa

no vale escuro da serra,

e, docemente, nos mares

repete a onda — pesares

dos ecos da minha terra!

Minha terra é pequenina,

porém não conta rival!

Tenho a prova na colina

do vale do Pantanal!

Como é belo, ao meio-dia,

passando nestas devesas

ouvir cantar de alegria

as ditosas camponesas!

Pelos tesouros maiores

eu não trocara os primores

dos meus formosos sertões,

que os matizes deste prado

são mais ricos que o brocado

dos suntuosos salões!

Minha terra é pequenina

porém não conta rival!

Tenho a prova na colina

do vale do Pantanal!

Minha terra tem poesia

quando rompe a madrugada,

à hora do meio dia

e quando a tarde é chegada.

Na Primavera, no Estio,

se o tempo é límpido e frio,

se as noites não têm luar,

e quando a lua saudosa

retrata a face mimosa

no claro espelho do mar!