A MORTE DE AFONÇO BARBOZA DA FRANCA AMIGO DO POETA.
Quem pudera de pranto soçobrado,
Quem pudera em choro submergido
Dizer, o que na vida te hei querido,
Contar, o que na morte te hei chorado.
Só meu silêncio diga o meu cuidado,
Que explica mais que a voz de um afligido,
Porque na esfera curta de um sentido
Não cabe um sentimento dilatado.
Não choro, amigo, a tua avara sorte,
Choro a minha desgraça desmedida,
Que em privar-me de ver-te foi mais forte.
Tu com tanta memória repetida
Acharás nova vida em mãos da morte,
Eu triste nova morte às mãos da vida.