A MORTE DE AFONÇO BARBOZA DA FRANCA AMIGO DO POETA.

By Gregório de Matos Guerra

Quem pudera de pranto soçobrado,

Quem pudera em choro submergido

Dizer, o que na vida te hei querido,

Contar, o que na morte te hei chorado.

Só meu silêncio diga o meu cuidado,

Que explica mais que a voz de um afligido,

Porque na esfera curta de um sentido

Não cabe um sentimento dilatado.

Não choro, amigo, a tua avara sorte,

Choro a minha desgraça desmedida,

Que em privar-me de ver-te foi mais forte.

Tu com tanta memória repetida

Acharás nova vida em mãos da morte,

Eu triste nova morte às mãos da vida.