A NAU

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Sôfrega, alçando o hirto esporão guerreiro,

Zarpa. A íngreme cordoalha úmida fica...

Lambe-lhe a quilha a espúmea onda impudica

E ébrios tritões, babando, haurem-lhe o cheiro!

Na glauca artéria equórea ou no estaleiro

Ergue a alta mastreação, que o Éter indica,

E estende os braços de madeira rica

Para as populações do mundo inteiro!

Aguarda-a ampla reentrância de angra horrenda,

Para e, a amarra agarrada à âncora, sonha!

Mágoas, se as tem, subjugue-as ou disfarce-as...

E não haver uma alma que lhe entenda

A angústia transoceânica medonha

No rangido de todas as enxárcias!