A OUTRO SUGEYTO QUE ESTANDO VARIAS NOYTES COM HUMA DAMA, À NÃO DORMIO POR NÃO TE...
Tal desastre, e tal fracasso,
com razão vos chega ao vivo,
que eu não vi nominativo
com tão vergonhoso caso:
do Oriente até o Ocaso,
desde o Olimpo até o Baratro,
do Orbe por todo o teatro
se diz, que sois fraca rês,
porque às três o Demo as fez
mas vós nem três, nem as quatro.
Quatro noites de desvelo
fostes passar com Joana,
tocaram-vos a pavana,
bailastes o esconderelo:
um homem do vosso pêlo
que dirá em tal desvario,
senão que foi tanto o frio,
tanto essas noites ventou,
que a cera se não gastou
por não pegar o pavio.
Isto é para insensatos,
não para os gatos de lei,
nem para mim, que bem sei,
que o frio é, que arreita os gatos:
deixemos esses recatos,
demos na verdade em cheio,
o que eu pressuponho, e creio,
é, que era alheia a mulher,
e a vossa porra não quer,
levantar-se com o alheio.
Vos quereis adrede errar,
porque nos alheios trastes
uma vez que vos deitastes,
força será levantar:
se vos não hão de emendar
estas lições de Gandu,
dai a porra a Berzabu,
que não presta para o alho,
ou tomai este caralho
metei-o, amigo, no cu.
Engano foi de capricho
a mezinha do Limão,
pois a cura do pismão
é uma, e outra a do bicho:
para entesar esse esguicho,
e endurecer esse cano
o remédio é um sacamano,
e se sois de fria casta,
e nada disto vos basta,
sede frade franciscano.
Meter um limão sem tédio
no cu, é cousa de bruto,
é remédio para puto,
não para as putas remédio:
em todo o Antártico prédio
não se viu tal asnidade,
porque se na realidade
sois tão frio fodedor,
como curais o calor,
se enfermais de frialdade.