A OUTRO SUGEYTO QUE ESTANDO VARIAS NOYTES COM HUMA DAMA, À NÃO DORMIO POR NÃO TE...

By Gregório de Matos Guerra

Tal desastre, e tal fracasso,

com razão vos chega ao vivo,

que eu não vi nominativo

com tão vergonhoso caso:

do Oriente até o Ocaso,

desde o Olimpo até o Baratro,

do Orbe por todo o teatro

se diz, que sois fraca rês,

porque às três o Demo as fez

mas vós nem três, nem as quatro.

Quatro noites de desvelo

fostes passar com Joana,

tocaram-vos a pavana,

bailastes o esconderelo:

um homem do vosso pêlo

que dirá em tal desvario,

senão que foi tanto o frio,

tanto essas noites ventou,

que a cera se não gastou

por não pegar o pavio.

Isto é para insensatos,

não para os gatos de lei,

nem para mim, que bem sei,

que o frio é, que arreita os gatos:

deixemos esses recatos,

demos na verdade em cheio,

o que eu pressuponho, e creio,

é, que era alheia a mulher,

e a vossa porra não quer,

levantar-se com o alheio.

Vos quereis adrede errar,

porque nos alheios trastes

uma vez que vos deitastes,

força será levantar:

se vos não hão de emendar

estas lições de Gandu,

dai a porra a Berzabu,

que não presta para o alho,

ou tomai este caralho

metei-o, amigo, no cu.

Engano foi de capricho

a mezinha do Limão,

pois a cura do pismão

é uma, e outra a do bicho:

para entesar esse esguicho,

e endurecer esse cano

o remédio é um sacamano,

e se sois de fria casta,

e nada disto vos basta,

sede frade franciscano.

Meter um limão sem tédio

no cu, é cousa de bruto,

é remédio para puto,

não para as putas remédio:

em todo o Antártico prédio

não se viu tal asnidade,

porque se na realidade

sois tão frio fodedor,

como curais o calor,

se enfermais de frialdade.