A PEDITORIO DE HUMA DAMA QUE SE VIO DESPREZADA DE SEU AMANTE.

By Gregório de Matos Guerra

Até aqui blasonou meu alvedrio,

Albano, meu, de livre, e soberano,

Vingou-se, ai de mim triste! Amor tirano,

De quem padeço o duro senhorio.

E não só se vingou cruel, e impio

Com sujeitar-me ao jugo desumano

De bem querer, mas de querer-te, Albano,

Onde é traição a fé, e amor desvio.

Se te perdi, não mais que por querer-te,

Paga tão justa, quanto merecida,

Pois com amar não soube merecer-te.

De que serve uma vida aborrecida?

Morra, quem teve a culpa de perder-te:

Perca, quem te perdeu, também a vida.