A pomba e a formiga

By Delminda Silveira de Sousa

Dum regato na corrente,

Meiga pombinha bebia,

Ao tempo que ali caía

Uma formiga imprudente.

Ia, naquele oceano,

Afundar-se a desditosa,

Quando a pomba caridosa

Antevendo o fim tirano,

Um raminho, mui ligeira,

Lança à água traiçoeira;

A formiga logo o abraça,

E, daí, trepa à ribeira.

Eis que um farroupilhas passa:

Vê a ave, por desgraça,

E p’ra ceia a quer caçar;

Percebe a formiga a traça,

E morde-o no calcanhar;

O nosso lorpa tonteia,

Voltando presto a cabeça:

Voa a pombinha, depressa...

E com ela foi-se a ceia!