A prece

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Cada vaga coleava a laia de serpente

De áurea escama, a luzir nos flancos do rochedo,

Na imensa praia triste! E o sol, topázio ardente,

Desenhava clarões nas folhas do arvoredo!

E eu corria num barco, afoito e sorridente:

Alma aberta, sem susto, afastada do medo;

Eis quando uma rajada, um látego veemente,

Me atira desse mar ao trágico segredo!

Mas só tu, meu amor, nessa hora, me amparaste,

No fundo desse mar e de lá me arrancaste...

Pois ali quanta gente à morte não se esquiva!

Pude então ver no teu olhar que tudo aquece

Quanto vale o ter fé nas asas de uma prece

Que assim me socorreu nessa luta aflitiva...