À procura de abrigo

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Neste lugar, a gente esquece quase o mundo.

E sente o coração num êxtase bendito!

Fitando o largo mar que se arrepela, aflito.

A alma foge à tristeza e ao tormento profundo!

No mar, por mais austero e por mais iracundo,

Ou calmo como um lago onde não haja um grito,

Toda a nossa alma sente um sonho de infinito.

Sonho cheio de luz e dessa luz fecundo.

Brama a lestada ou corra o azeite da bonança,

As velas sobre o mar são todas de esperança...

E eu até aos faróis atentamente as sigo!

Vão, assim, pelo azul de todas as distâncias,

Como se vão pelo ar as nossas pobres ânsias.

Para os faróis do céu, à procura de abrigo!