A ROMÃ (lundu)

By Laurindo José da Silva Rabelo

Entre as frutas que há no mundo

Não há uma fruta irmã

Na beleza e na doçura

Da que se chama romã.

Tem coroa de rainha,

Roxa cor na casca tem,

Quando racha, me retrata

A boquinha de meu bem.

Nos meus lábios sequiosos

Dum néctar sinto a doçura

Quando sedento lhe ponho

A boca na rachadura.

Pela primeira vez vi

Num jardim pela manhã,

O meu bem que em vez de flores

Só trazia uma romã.

DE TI FIQUEI TÃO ESCRAVO

De ti fiquei tão escravo

Depois que teus olhos vi,

Que só vivo por teus olhos,

Não posso viver sem ti.

Contemplando o teu semblante

Sinto a vida me escapar.

Num teu olhar perco a vida,

Ressuscito noutro olhar.

Mas é tão doce

Morrer assim.

Lília, não deixes

De olhar p’ra mim.

Num raio de teus olhares

Minh’alma inteira perdi.

Se tens minh’alma nos olhos,

Não posso viver sem ti.

A qualquer parte que os volvas,

Minh’alma sinto voar,

Inda que livre nas asas,

Presa só no teu olhar.

Mas é tão doce

Prisão assim.

Lília, não deixes

De olhar p’ra mim.

Que era meu fado ser teu

Ao ver-te reconheci,

Não se muda a lei do fado,

Não posso viver sem ti.

Por não ver inda completa

Minha doce escravidão,

Se me ferem teus olhares,

Choro sobre meu grilhão.

Mas é tão doce

Prisão assim.

Lília, não deixes

De olhar p’ra mim.