A ROSEIRA
No jardim de Violeta, à despedida,
Plantei, num vaso d’oiro, uma roseira,
E, cativando a sua mão querida,
Disse num tom de mágoa verdadeira:
“Enquanto o amor com seu sublime encanto
“Te encher o olhar de lágrimas preciosas,
“Que esta roseira, que de joelhos planto,
“Traga sempre uma túnica de rosas...
Andei por longes terras levantinas,
Guardando nalma — escrínio de saudades, —
Da sua voz as notas cristalinas,
Do seu olhar as doces claridades.
Quando volvi ao meu país risonho
Todo o jardim de flores se cobria:
Mas na roseira do meu lindo sonho
(Pobre de mim!), nem um botão havia!