À SOMBRA DOS MONTES

By Gustavo de Paula Teixeira

No exílio deste vale, onde me entumbo

Sob o velário das neblinas frias,

Meu coração é o pêndulo de chumbo

Que marca as horas destes longos dias.

Morro de tédio, de pesar sucumbo!

O vento, que enche as solidões sombrias,

Vai propagando o fúnebre retumbo

Pelas furnas e alpestres serranias.

Sol! Tu que tinges de carmim as rosas

E para a gloria da alvorada existes,

Rasga nas brumas amplidões radiosas!

Quero escalar os píncaros dos montes

Porque meus olhos vão ficando tristes

De saudade dos amplos horizontes!