A SUA ALTEZA I

By Nicolau Tolentino de Almeida

N’esta cansada triste poesia

Vedes, senhor, um novo pretendente,

Que aborrece o que estima toda a gente,

Que é ter no mundo cargos e valia.

Sobre alto trono há anos que regia

De dócil povo turba obediente:

Mas quer antes sentar-se humildemente

Num banco da real secretaria;

Qual modesto capucho reverendo,

Que enfim de guardiania trienal

Passa a porteiro as chaves recebendo.

Em mim conheço vocação igual:

E co’a mesma humildade hoje pretendo

Passar de mestre a ser oficial.