A SUA ALTEZA I
N’esta cansada triste poesia
Vedes, senhor, um novo pretendente,
Que aborrece o que estima toda a gente,
Que é ter no mundo cargos e valia.
Sobre alto trono há anos que regia
De dócil povo turba obediente:
Mas quer antes sentar-se humildemente
Num banco da real secretaria;
Qual modesto capucho reverendo,
Que enfim de guardiania trienal
Passa a porteiro as chaves recebendo.
Em mim conheço vocação igual:
E co’a mesma humildade hoje pretendo
Passar de mestre a ser oficial.