A SUA ALTEZA II

By Nicolau Tolentino de Almeida

De bolorentos livros rodeado

Moro, senhor, n’esta fatal cadeira;

De quinze invernos a voraz carreira

Me tem no mesmo posto sempre achado:

Longo tempo em pedir tenho gastado,

E gastarei talvez a vida inteira;

O ponto está em que, quem pode, queira,

Que tudo o mais e trabalhar errado.

Príncipe augusto, seja vossa a glória:

Fazei que este infeliz ache ventura;

Ajuntai mais um fato à vossa história.

Mas, se inda aqui me segue a desventura,

Cedo ao meu fado, e vou co’a palmatória

Cavar num canto da aula a sepultura.