A SUA ALTEZA II
De bolorentos livros rodeado
Moro, senhor, n’esta fatal cadeira;
De quinze invernos a voraz carreira
Me tem no mesmo posto sempre achado:
Longo tempo em pedir tenho gastado,
E gastarei talvez a vida inteira;
O ponto está em que, quem pode, queira,
Que tudo o mais e trabalhar errado.
Príncipe augusto, seja vossa a glória:
Fazei que este infeliz ache ventura;
Ajuntai mais um fato à vossa história.
Mas, se inda aqui me segue a desventura,
Cedo ao meu fado, e vou co’a palmatória
Cavar num canto da aula a sepultura.