A SUA ALTEZA IV
Qual náufrago, senhor, que foi alçado
Por mão piedosa d’entre as ondas frias,
Tal eu de antigas duras agonias
Por vossas reais mãos fui resgatado.
Pois vencestes as teimas do meu fado,
E já vejo raiar dourados dias,
Deixai que possa em minhas poesias
O vosso augusto nome ser cantado.
Não é digna de vós minha escritura,
Nem harmonia, nem, estilo a adoça;
Mas valha-lhe, senhor, vontade pura.
Príncipe excelso, consenti que eu possa
Fazer inda maior minha ventura,
Contando ao mundo que foi obra vossa.