A SUA ALTEZA V
Tornai, tornai, senhor, ao Tejo undoso,
Vinde honrar-lhe outra vez a clara enchente,
E deixai que ajoelhe entre a mais gente
Um protegido humilde e respeitoso.
Não leva a vossos pés rogo teimoso
De importuno cansado pretendente;
Vem beijar-vos a mão humildemente,
A mão augusta que o fará ditoso.
Pois foi por vós benignamente ouvido,
Não vai fazer em pretensões estudo,
Vai só mostrar-vos que é agradecido.
Ante vós ajoelha humilde e mudo:
Mostrai-lhe que inda é vosso protegido;
Que, se isto lhe ficou, ficou-lhe tudo.