À TERRA NATAL

By Laurindo José da Silva Rabelo

Adeus!... Vou procurar talvez um túmulo

Longe do teu regaço.

Nunca me foste mãe, mas sou teu filho,

Concede-me um abraço!

Abençoa-me! — Parto; dá-me a bênção!

Que ao filho desgraçado,

Mesmo o ser infeliz dá mais direitos

A ser abençoado.

És rica, eu nada tenho; mas ao nada

Me soube acostumar;

Dispenso os teus tesouros, mas a bênção

Não posso dispensar.

Adoro-a, quero-a, sim; porque custou-me

Aspérrimo desgosto,

Torturas inauditas, conservar-lhe

Sem manchas este rosto.

Quero de filial doce ventura

Encher meu coração,

Revendo nela, filho abençoado,

A minha filiação.

Nunca me foste mãe pelos carinhos;

Ao menos um sinal

Dá-me, dá-me de mãe, que sou teu filho,

Na bênção maternal.

Adeus!... Perdoa se me queixo; as queixas

Que exalo em minha dor

Ofender-te não devem, que são filhas

De meu ardente amor.

Esses braços ao filho que se aparta

Estende por quem és,

Que o filho por teus braços abraçado

Abraçará teus pés!...