À TERRA NATAL
Adeus!... Vou procurar talvez um túmulo
Longe do teu regaço.
Nunca me foste mãe, mas sou teu filho,
Concede-me um abraço!
Abençoa-me! — Parto; dá-me a bênção!
Que ao filho desgraçado,
Mesmo o ser infeliz dá mais direitos
A ser abençoado.
És rica, eu nada tenho; mas ao nada
Me soube acostumar;
Dispenso os teus tesouros, mas a bênção
Não posso dispensar.
Adoro-a, quero-a, sim; porque custou-me
Aspérrimo desgosto,
Torturas inauditas, conservar-lhe
Sem manchas este rosto.
Quero de filial doce ventura
Encher meu coração,
Revendo nela, filho abençoado,
A minha filiação.
Nunca me foste mãe pelos carinhos;
Ao menos um sinal
Dá-me, dá-me de mãe, que sou teu filho,
Na bênção maternal.
Adeus!... Perdoa se me queixo; as queixas
Que exalo em minha dor
Ofender-te não devem, que são filhas
De meu ardente amor.
Esses braços ao filho que se aparta
Estende por quem és,
Que o filho por teus braços abraçado
Abraçará teus pés!...