A tia Madalena
Sonambúlica e triste e cheia de pesar,
A tia Madalena, arrastando a passada,
Todas as tardes vai às carícias do mar,
Pelo crivo de luz das árvores da estrada.
Ela que irá fazer? Dizem que vai rezar,
Porque de dores sente a alma toda atulhada.
Essa velhinha tem ladainhas no olhar...
Mas o seu peito lembra uma ermida fechada.
Desce e vai ao sopé de uma cruz, num rochedo,
Onde soluça o mar, num profundo segredo,
Aspergindo rosais e ondulações de luz...
E a tia Madalena, entre lágrimas, reza...
Vive ao noivo, que é morto, há muitos anos, presa,
Num amor como alguém já tivera a Jesus!