A tia Madalena

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Sonambúlica e triste e cheia de pesar,

A tia Madalena, arrastando a passada,

Todas as tardes vai às carícias do mar,

Pelo crivo de luz das árvores da estrada.

Ela que irá fazer? Dizem que vai rezar,

Porque de dores sente a alma toda atulhada.

Essa velhinha tem ladainhas no olhar...

Mas o seu peito lembra uma ermida fechada.

Desce e vai ao sopé de uma cruz, num rochedo,

Onde soluça o mar, num profundo segredo,

Aspergindo rosais e ondulações de luz...

E a tia Madalena, entre lágrimas, reza...

Vive ao noivo, que é morto, há muitos anos, presa,

Num amor como alguém já tivera a Jesus!