A TORTURA DA ESPERA

By Gustavo de Paula Teixeira

Quase noite e não vem! Que tarde longa e triste!

Desde que a aurora abriu o róseo cortinado

Espero ao longe ver surgir teu vulto amado.

De azul como no dia infausto em que partiste.

Desce a noite. E não vens! De dúvida alanceado,

Estremeço ao pensar que, certo, me iludiste!

E dentro do meu peito, onde um altar existe,

Plange um sino feral em dobres a finado...

Crescente inquietação me agita e me tortura!

Em vez de um beijo, em vez da edênica ventura,

Esta febre, esta angústia, este queimor de brasas!

E enquanto a voz do inverno ulula à minha porta,

No silêncio desta alma, onde a esperança é morta,

O corvo do presságio abre as sinistras asas!