A UM AVARENTO

By Gustavo de Paula Teixeira

Enxotas do portal o esquálido mendigo

Que pelo amor de Deus te pede caridade!

Nunca vestiste em nu e nunca deste abrigo

À viuvez sem amparo e à mísera orfandade!

Guarda o teu ouro, os teus milhões ensanguentados!

Quando a morte cruzar as tuas mãos inermes,

Tu, que sempre negaste um pão aos desgraçados,

Irás saciar a gula a cem legiões de vermes!