A UM LEIGO ARRABIDO VESGO DESPEDIDO DA MESA DE S. C. P. SILVA, POR TOMAR A MELHO...
O vesgo monstro que co’a gente ralha
E de manhã a todos atravessa,
A cuja hirsuta sórdida cabeça
Nunca chegou juízo, nem navalha;
Que os gázeos olhos pela mesa espalha
Por ver se há mais comer que tire, ou peça,
Entrando n’ele com tal fome e pressa
Qual faminto frisão em branda palha;
Por crimes de alta gula e pouco siso.
De mesa bem servida, mas severa.
Foi num dia lançado de improviso.
Hoje chorando o seu perdão espera:
Perderam dois glutões o paraíso,
O antigo por maçã, este por pêra.