A UM LEIGO ARRABIDO VESGO DESPEDIDO DA MESA DE S. C. P. SILVA, POR TOMAR A MELHO...

By Nicolau Tolentino de Almeida

O vesgo monstro que co’a gente ralha

E de manhã a todos atravessa,

A cuja hirsuta sórdida cabeça

Nunca chegou juízo, nem navalha;

Que os gázeos olhos pela mesa espalha

Por ver se há mais comer que tire, ou peça,

Entrando n’ele com tal fome e pressa

Qual faminto frisão em branda palha;

Por crimes de alta gula e pouco siso.

De mesa bem servida, mas severa.

Foi num dia lançado de improviso.

Hoje chorando o seu perdão espera:

Perderam dois glutões o paraíso,

O antigo por maçã, este por pêra.