A um poeta
Era o teu peito urdido de cuidados,
De carícias suavíssimas, de afagos;
E era, poeta, a tua alma como os lagos
Onde se espelham céus azuis e prados
Junto dos pobres peitos desolados
Nunca os teus passos foram vagos... vagos...
Quer pelos dias de ametista, aziagos,
Quer pelos dias de ouro, onde florados.
E por seres, assim, no amor um forte
Nem mesmo a águia espectral da morte,
No seu carro fantástico, medonho,
Pôde (embora matasse a fria argila)
Matar-te a branca monja, na pupila
Onde morava, a orar, dentro do sonho!