A um poeta

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Era o teu peito urdido de cuidados,

De carícias suavíssimas, de afagos;

E era, poeta, a tua alma como os lagos

Onde se espelham céus azuis e prados

Junto dos pobres peitos desolados

Nunca os teus passos foram vagos... vagos...

Quer pelos dias de ametista, aziagos,

Quer pelos dias de ouro, onde florados.

E por seres, assim, no amor um forte

Nem mesmo a águia espectral da morte,

No seu carro fantástico, medonho,

Pôde (embora matasse a fria argila)

Matar-te a branca monja, na pupila

Onde morava, a orar, dentro do sonho!