A UM SUJEITO QUE PELA PRIMEIRA VEZ SE TOSQUEOU PARA POR CABELEIRA
Desafronta esses cascos cabeludos, —
E o sol os veja pela vez primeira;
Saiba também essa vestal caveira,
Que há nortes frios, e aquilões agudos:
Chovam-te aos pés os crespos gadelhudos,
Que te abafam a pálida viseira;
E rolem sobre as praias da Junqueira
Ao som do vento os sórdidos canudos:
Tesouras, com o gume de cutelos,
Aliadas em ásperos rebolos,
Deixem-te os cascos limpos de novelos;
Porém de todo poderás compô-los,
Se assim como lhe pões outros cabelos,
Poderás encaixar-lhe outros miolos.