A UM SUJEITO QUE PELA PRIMEIRA VEZ SE TOSQUEOU PARA POR CABELEIRA

By Nicolau Tolentino de Almeida

Desafronta esses cascos cabeludos, —

E o sol os veja pela vez primeira;

Saiba também essa vestal caveira,

Que há nortes frios, e aquilões agudos:

Chovam-te aos pés os crespos gadelhudos,

Que te abafam a pálida viseira;

E rolem sobre as praias da Junqueira

Ao som do vento os sórdidos canudos:

Tesouras, com o gume de cutelos,

Aliadas em ásperos rebolos,

Deixem-te os cascos limpos de novelos;

Porém de todo poderás compô-los,

Se assim como lhe pões outros cabelos,

Poderás encaixar-lhe outros miolos.