A UMA CAMPONESA
Não moram em palácios estucados
Almas singelas, almas extremosas:
Nutrem da corte as damas enganosas
Em tenros peitos corações dobrados.
Venham por longos mares conquistados
As indianas sedas preciosas:
Cubram-lhe as carnes alvas e mimosas
Ricos vestidos em Paris bordados.
São isto efeitos da arte e da ventura:
Estimo mais que toda a vã grandeza
Um limpo coração, uma alma pura.
Não na corte; das serras na aspereza
Fui achar inocência e formosura.
Sagrados dons da simples natureza.