A UMA CAMPONESA

By Nicolau Tolentino de Almeida

Não moram em palácios estucados

Almas singelas, almas extremosas:

Nutrem da corte as damas enganosas

Em tenros peitos corações dobrados.

Venham por longos mares conquistados

As indianas sedas preciosas:

Cubram-lhe as carnes alvas e mimosas

Ricos vestidos em Paris bordados.

São isto efeitos da arte e da ventura:

Estimo mais que toda a vã grandeza

Um limpo coração, uma alma pura.

Não na corte; das serras na aspereza

Fui achar inocência e formosura.

Sagrados dons da simples natureza.