A UMAS SEZÕES TEIMOSAS

By Nicolau Tolentino de Almeida

Não posso mais, cruéis sezões malinas,

Tratar-vos bem como vos hei tratado;

Já mísero cotão sai despegado

Das rotas algibeiras cristalinas;

Buscai agora a quem chegar das minas,

Ou quem entronque em linha de morgado;

Que algum vintém que eu tinha, está fumado

Em águas de Inglaterra, purgas, quinas;

Mudai sítio, que eu mudo de costume;

Já não revoam Neste promontório

Rolas de peso, frangas de chorume;

Torna a surgir no simples refeitório

O fiel bacalhau, o vil legume,

Que é o que d’antes dava o reportório.