A umbela

By Juvêncio de Araújo Figueredo

O antigo marinheiro está quase morrendo

No seu rancho de palha. Ai! pobre do velhinho!

Setenta anos já fez. E viveu percorrendo

Das tristes ilusões o infindável caminho.

E agora, à luz do sol, que se vai distendendo

Pelas praias e campos, existe um burburinho

De povo que o deplora. E o povo vai correndo

Para a morte assistir do seu melhor vizinho.

Numa lancha que dobra, então, toda a enseada,

Velas brancas ao vento, aos beijos da nortada,

Cinge o vigário ao peito a sua linda estola.

E, logo, pela praia encantadora e bela,

Numa voz de oração, o povo segue, a Umbela,

— Flor de sangue entreabrindo a rútila corola.