A VIOLETA

By Gustavo de Paula Teixeira

Sob o espesso docel de folhas de esmeralda,

Do sonho do botão acorda, abre a corola,

E uma lágrima ardente as pálpebras lhe escalda

Vendo a triste penumbra em que o destino a isola.

O sol, que um raio d’oiro e purpura desfralda,

Tênue raio lhe envia, às vezes, por esmola;

Se sai da sombra é presa em fúnebre grinalda

Onde a ultima ilusão no aroma se lhe evola.

Fugaz como o corisco, o beija-flor de leve

Roça o tufo sem ver a lírica violeta,

Que guarda a candidez de um flóculo de neve.

As rosas com seu régio orgulho a martirizam....

Por isso é roxa como o seio de Julieta,

Como as chagas de amor que nunca cicatrizam!