A VISTA DO AMOR, QUE TEVE O POETA A ESTA DAMA, COMO SE COLHE É A SEGUINTE OBRA HUM TESTEMUNHO DA SUA GENEROZIDADE: POIS LHE RECUSA OS SEUS CONVITES, ACONSELHANDO-A A SOFFRER SEU ESPOSO. NEM OS SEUS GALANTEOS FORAM COM PESSOA PROHIBIDA.
Vós casada, e eu vingado,
todo o meu coração sente,
mas a vingança presente
mais que o agravo passado:
o agravo já perdoado
pelas desculpas, que dais,
menos dor me ocasionais
por ser contra meu respeito
que, o que contra vós é feito,
força é, que doa mais.
Chorar vosso casamento
é sentir a minha dor
e agora me obriga Amor
a sentir vosso tormento:
vosso descontentamento
do meu mal distância encerra,
que no meu coração não erra
censurando um, e outro sim,
pois de vós vai tanto a mim,
como vai dos céus a terra.
Um só coração assestam
os pesares, de quem ama,
mas os pesares da Dama
a dois corações molestam:
se duas vidas infestam
males, de que estais sentida,
com razão, prenda querida,
dois prantos faço em comum.
pela minha vida um,
outro pela vossa vida.
Levai prudenre, e sagaz
esse cargo, essa pensão,
porque o erro da eleição
consigo outros erros traz:
se é de remédio incapaz
o erro do casamento,
dissimule o sofrimento
esse erro: porque maior
não faça o erro de amor
erros do arrependimento.