A VOZ DO SANGUE

By Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

Matou Courado a paixão

Que o trazia sucumbido,

Entregando o coração

À Alexandrina Balão,

Que o recebeu por marido.

Depois de um bom par de meses

De pensar e mais pensar

E discutir muitas vezes,

Os referidos fregueses

Abalaram do lugar.

Não os viu Deus com bom olho,

Pois se um filho rechonchudo

Deu-lhes, era o tal pimpolho,

Além de tudo, caolho,

E mudo, acima de tudo.

Conrado, que o filho adora,

Nana-o, beija-o, mexe, vira,

Debalde suspira e chora,

— Palavra não sai p’ra fora,

Palavra alguma lhe tira.

Volta ao lugar do casório,

E, logo, das nuvens cai;

Pois, ao ver no consistório

Da igreja o padre Libório,

Diz a criança: — “Papai!”