À

By Delminda Silveira de Sousa

Como a rolinha cansada

de gemer na solidão

já não manda à viração

suspiros da voz magoada,

assim a lira piedosa

— sócia no riso e no pranto —

imersa em fundo quebrando

já não solta a voz maviosa.

Qual no vergel, entre as flores,

Leda avezinha gorjeia

doce canção que recreia,

hino festivo d’amores,

somente as liras felizes

desprendem cantos amenos

como sonhares serenos,

como perfumes de luzes.

Não tem a “mente ditosa”

quem não medita venturas;

quem só vive d’amarguras

em realidade penosa,

e deste fado cruel

compartilhando, entristece

e pesarosa emudece

a lira — sócia fiel!

qu’importa ao mundo feliz

de um triste canto o lamento?

Suspiros... leva-os o vento,

e o mundo ao triste maldiz!

À lira da soledade

— sócia no riso e na dor —

deixai, deixai, por favor,

o repouso, a liberdade!