Abrigo
Sim, fiquemos aqui. Olha as ilhas tão belas,
Cujas praias o mar, serenamente, beija...
Lá longe, no horizonte, as alvacentas velas,
Umas vão, outras vêm... E aquela outra bordeja...
Na Ilha das Vinhas há pinturas amarelas
Que parecem alfaia às portas de uma igreja,
E, em filas, lá por baixo, as casinhas singelas
Lembram riscos de giz num pano verde. Adeja
Dentro do céu que é todo uma imensa turquesa,
A gaivota bizarra, asa aberta à beleza
Da luz que se transforma em seda, nos espaços...
Sim, que a tarde recorda aquela em que eu contigo,
Nesta praia, aqui mesmo, encontramos o abrigo
Dos flóreos laranjais, para os nossos abraços.