ACHANDO-SE O AUTOR PRESO DOS BELOS OLHOS DE MÁRCIA

By Nicolau Tolentino de Almeida

Eu vi a Márcia bela, vi Cupido

Com arco, setas e cruel aljava,

Com ímpeto sair de d’onde estava,

E voar para mim enfurecido.

Fugi; bradei: porém não fui ouvido;

E o tirano rapaz que me buscava.

Cora uma e outra seta me atirava.

Até de todo me deixar rendido.

Atou-me as mãos com ásperas cadeias,

Sem o mover o sangue que corria

Do roto coração, das rotas veias.

Antes, com frio riso me dizia;

“E não sabias tu, que amor receias,

“Que nos olhos de Márcia amor vivia?”