ACONTECEO QUE FALLANDO ESTA IZABEL COM HUM CERTANEJO, FOY POR ELLE ACHADA COM A...

By Gregório de Matos Guerra

Colheu-vos na esparrela

o Tabaréu inimigo,

vós queríeis o postigo,

e tomastes a janela:

Beleta de sentinela

vendo-vos dentro da praça

deu um tiro, e à fumaça

acudiu logo o Tenente,

fugistes, que o mais valente

nas mãos do inimigo embaça.

Como do postigo a malha

ocupou logo o Tenente,

vós em risco tão urgente

saltastes pela muralha:

se caísseis sobre a palha,

livráreis com menos perda,

mas como Beleta é esquerda,

e o laço vos pôs no chão,

não caístes na traição,

porém caístes na merda.

As mãos pusestes no chão,

e sentindo a terra branda,

da brandura, que tresanda,

tivestes má presunção:

e assim discorrendo então,

se aquela papa-moleta

era favor, ou era treta,

por informes do nariz

soubestes mais de raiz,

que era caca de Beleta.

Então mais precipitado

fostes fugindo ao perigo,

menos do ferro inimigo,

que de Beleta ao ferrado:

deixando o mato roçado,

e a poia menos pomposa

vos pondes em polvorosa,

que é menos para temido

qualquer zeloso ofendido,

que uma Puta cagajosa.

Não me espanto não da perda

que então teve o tal vinagre,

porque como o Moço é bagre

se havia de ir logo à merda:

espanta-me que tão lerda

fosse uma Puta velhaca,

pois não lhe dando uma ataca

ele, e sendo ela mesquinha,

lhe sofresse a passarinha,

que ele lhe rapasse a caca.

Tanto Beleta se ria,

que me dizem, que afirmara,

que a caca de então ficara

açúcar de Alexandria:

eu não sei, porque o dizia,

só sei, que aqui se contou,

que porque a merda pisou

um Alexandre, a velhaca

dissera, que a sua caca

Alexandria ficou.

Como estranha a má pessoa,

que o seu segredo não dura,

se dorme com tô forçura,

que todo o lanço apregoa?

que esperava a Tabaroa

de um inocente sendeiro

raso de barba, e dinheiro?

que esperava esta velhaca?

que ele se borre de caca,

e ela lhe alimpe o cueiro.

Beleta é olha podrida,

de que Deus livre meu odre,

e se é ardida, como é podre,

não vi puta mais ardida:

está de sarna manida,

e anda gafa de coceira,

a cara é uma caveira,

a carne pilha morrinha,

e porque é puta ratinha,

mora em uma ratoeira.

Beleta, como passais

nesta troca tão bizarra:

eu vos dou pela bandarra,

vós por bandarra me dais:

se vós de mim vos queixais,

eu também de vós me queixo,

e pondo a cousa em seu eixo,

a mim por razão me vem,

pois me deixais por ninguém,

como eu por alguém vos deixo.

Vós por um Dom Tabaréu

deixais um Doutor em Leis,

eu deixo, como sabeis,

um bagre por um xaréu:

vós me quitais o chapéu

com infame ingratidão,

eu não fui ingrato não,

e quem troca odre por odre,

um deles há de ser podre,

e o meu nesta troca é são.