ACTO DE CONTRIÇÃO O QUE FÊZ DEPOIS DE SE CONFESSAR.

By Gregório de Matos Guerra

Meu amado Redentor,

Jesu Cristo soberano

Divino Homem, Deus Humano,

da terra, Deus criador:

por seres, quem sois, Senhor,

e porque muito vos quero,

me pesa com rigor fero

de vos haver ofendido,

do que agora arrependido,

meu Deus, o perdão espero.

Bem sei, meu Pai soberano,

que na obstinação sobejo

corri sem temor, nem pejo

pelos caminhos do engano:

bem sei também, que o meu dano

muito vos tem agravado,

porém venho confiado

em vossa graça, e amor,

que também sei, é maior,

Senhor, do que meu pecado.

Bem não vos amo, confesso,

várias juras cometi,

missa inteira nunca ouvi,

a meus Pais não obedeço:

matar alguns apeteço,

luxurioso pequei,

bens do próximo furtei,

falsos levantei às claras,

desejei mulheres raras,

cousas de outrem cobicei.

Para lavar culpas tantas,

e ofensas, Senhor, tão feias

são fortes de graça cheias

essas chagas sacrossantas:

sobre mim venham as santas

correntes do vosso lado;

para que fique lavado,

e limpo nessas correntes,

comunica-me as enchentes

da graça, meu Deus amado.

Assim, meu Pai, há de ser,

e proponho, meu Senhor,

com vossa graça, e amor

nunca mais vos ofender:

prometo permanecer

em vosso amor firmemente,

para que mais nunca intente

ofensas contra meu Deus,

a quem os sentidos meus

ofereço humildemente.

Humilhado desta sorte,

meu Deus do meu coração,

vos peço ansioso o perdão

por vossa paixão, e morte:

à minha alma em ânsia forte

perdão vossas chagas dêem,

e com o perdão também

espero o prêmio dos Céus,

não pelos méritos meus,

mas do vosso sangue: amém.