AGRADA-SE DOS DONAIRES DE HUMA CABRINHA DO PADRE SIMÃO FERREYRA E LHE FAZ O SEGU...

By Gregório de Matos Guerra

Córdula da minha vida,

Mulatinha da minha alma,

leda como as aleluias,

é garrida como as Páscoas.

Valha-te Deus por cabrinha,

valha-te Deus por Mulata,

e valha-me Deus a mim,

que me meto em guardar cabras.

Quando te apolego as tetas

como uns marmelos inchadas,

me dão tentações, porque

cuido, que são marmeladas.

Tu me matas de donzela

porque, Córdula, te gabas

de virgo, sendo que Virgo

nunca em Capricórnio anda.

Passei pela tua porta,

estavas junto da casa,

chamei-te, achei-te cortês

vieste, e foste tirana.

Porque apenas to pedi,

quando me viraste a cara,

e co cabaço, que finges

me deste mil cabeçadas.

Enfim me destes o sim,

com que creio, que me enganas,

porque se há xinxim de brancas,

tu és o xinxim das cabras.

Por esta cara te juro,

que em dando-te a virotada

me hás de rondar pela porta,

me hás de puxar pela capa.