Água corrente

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Na tua boca há vagos marulhejos

De violinos vibrados na quietude

Abençoada e sã dos lugarejos,

Onde tudo palpita de saúde.

Na tua boca o roseiral dos beijos

Espalha o pólen de ouro da virtude,

E pairam cantos, diáfanos adejos

De risos que jamais contá-los pude.

Boca formosa, de dourados favos;

A tua boca embriaga e faz escravos

Os rudes corações, por mais insanos...

E lembra, faz lembrar a água corrente,

À flor da terra, embora ao sol ardente,

Numa jornada de esquecidos anos.