ALAÍDE MONTEIRO

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Salve, deusa que em Pafos se cultua!

Que estranha ave do céu, gárrula, canta

Dentro do ninho de coral da tua

Bela, suavíssima, ótima garganta?!

A caçoila da minha estrofe exale

A mirra e o incenso arábico mais brando

A ti que, assim como Hércules Onfale,

Puseste aos pés a humanidade fiando!

E que, bem como a água de um lago imundo

A alvíssima asa imácula dos cisnes,

Atravessas os pântanos do mundo

Sem que a diáfana alvura da alma tisnes.

Diante o esplendor da tua maravilha,

Beijando as tuas tranças de veludo,

Flor da espuma do mar de Chipre, filha

Do sol e irmã do luar: — Eu te saúdo!