Alma antiga

By João da Cruz e Sousa

Põe a tua alma francamente aberta

Ao sol que pelos páramos faísca,

Que o sol para a tua alma velha e prisca

Deve de ser como um clarim de alerta.

Desperta, pois, por entre o sol, desperta

Como de um ninho a pomba quente e arisca

À luz da aurora que dos altos risca

De listrões d’ouro a vastidão deserta.

Vai por abril em flores gorjeando

Como pássaro exul as canções leves

Que os ventos vão nas árvores deixando.

E tira da tua alma, ó doce amiga,

Almas serenas, puras como a neve,

Almas mais novas que a tua alma antiga!