Alma antiga

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Todo o amaino que encontras nesta cama,

Nestes lençóis tão alvos e aromados,

Vem de uma clara e misteriosa chama

Que te segue, dos tempos já passados...

E não a vês, na delicada trama

Da sorte! Não a vês, nos teus cuidados!

Mas ei-la neste leito; e se derrama

Como por sobre o mar óleos sagrados...

É que, por certo, um dia, um leito deste

A quem, passando num lugar agreste,

Sentira as pernas bambas de fadiga.

E se buscares todos os segredos

Do teu passado, encontrarás os ledos

Florescimentos da tua alma antiga.