Alma branca

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Morram todas as flores deste mundo,

Mordidas por um sol impenitente;

Desde os campos ao grande mar profundo,

Desde o Levante às plagas do Ocidente.

E morra o mar, também, manso ou iracundo;

E os montes morram convulsivamente,

E morra o trigo; torne-se infecundo;

E as aves morram, morram num repente.

E a luz do sol, que morra soluçando;

E a lua albente que se vá finando,

Como se fosse bolha de sabão...

No entanto ficará de pé, no espaço,

A alma branca e feliz, erguendo o braço...

Pois morrerás, também, ó coração!