Alma de Jó

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Dormias nessa praia, assim, como ninguém

Dorme em brancos lençóis cheirando a cardamomo.

Ora, quanto carinho e quanto afago tem

A praia, quando o luar surge num vivo assomo!

E sonhavas talvez, sem fadigas e sem

Tristes lamentações. Sempre sonhavas como

Todo aquele que espalha as sementes do bem,

E colhe desse bem o prometido pomo.

O teu leito era a praia; e o travesseiro, a espuma;

E o teu fresco lençol, a escumilha da bruma;

E o teu teto bendito, a curva dos espaços...

E agora, que morreste, ainda estarás dormindo?

Aonde estarás sonhando? E aonde estará florindo

A tua alma de Jó, tão cheia de cansaços?