Alma de marujo

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Dobra o sino da ermida, e a sua voz plangente

Erra, saudosamente, ao longo das quebradas.

Vê-se, de lado a lado, uma porção de gente.

E as aves, pelo mar, são asas assustadas.

Quem morreria ali? Naquele rancho, rente

Ao rochedo, onde estão as canoas puxadas,

Acaba de morrer o velhinho Clemente,

O melhor pescador desde as eras passadas.

E, ao morrer, disse à esposa, à fiel companheira,

Que se achava chorando à sua cabeceira:

“Como me sinto bem depois de confessado!”

Confessara-se o velho (Alma límpida, franca)

Ao mar, que de onda em onda, em plena praia branca,

Orava ao sol, orava ao céu, sempre ajoelhado.