Alma errante

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Erra, de praia em praia, entre as frias neblinas

Das noites hibernais, vulto desconhecido,

Cujas passadas têm, pelas areias finas,

Um brusco, desolante e macabro ruído.

Treme a gente que o vê, alma errando em ruínas,

Em convulsões de dor, num contínuo gemido,

Blasfemando, feroz, às estrelas divinas,

E às orações do amor fechando o próprio ouvido.

Pensam ser o José, que, nas praias, em fora,

Jamais teve uma fé, e desespera, agora,

Procurando a mulher que, certa vez, ao luar,

Numa violência atroz, horrivelmente crua,

Mais branco que o cutelo impassível da lua,

Atirara, enciumado, aos segredos do mar.