Alma inimiga

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Ruge, brame, blasfema, dize as cousas

Mais pesadas que as pedras dos caminhos,

Ou leves, leves como as mariposas,

E as aladas carícias dos arminhos.

Levanta, ou fecha, ao mesmo tempo, as lousas

Onde dormem crianças e velhinhos...

Alma inimiga, que jamais repousa,

Transforma em fel até os próprios vinhos,

Faze tudo, portanto, o que quiseres,

Contra os homens, também contra as mulheres;

Contra as flores e as aves do verão...

Mas não me queiras afastar do sonho

Dentro do qual, em êxtase, deponho

A hóstia branca e sublime do perdão.