Alucinado

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Fugi alucinado, e amaldiçoei a vida

De um pobre coração emparedado numa

Ânsia eterna de amor sem paz, e sem guarida,

Como por sobre a vaga o lírio de uma espuma.

E fugi a correr, em fúria desabrida,

Por uma praia triste; e fui a um monte... Em suma

De lá de cima olhei uma estrada comprida,

Sem cor, sem flor, sem luz, sem claridade alguma.

Mas, parado, depois de andar convulsamente,

Do tédio arremessado à tortura inclemente,

Madruguei, afinal, num campo solitário.

E só retrocedi, ao contínuo chamado

Da tua voz febril, que ecoara ao meu lado,

Através das canções saudosas de um canário.