Amarga ironia

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Eis-me junto de um túmulo fechado,

Onde reclino a fronte quase fria.

Quero escutar, digo eu, a litania

De um coração que aqui jaz enterrado.

Nisso, de dentro, parte um som magoado,

De uma profunda e vaga nostalgia.

Quem és? E o som responde-me: — Maria,

A tua filha, o teu amor sonhado!

Um frio, então, tragicamente horrendo,

Passa-me os ossos; e me vai roendo

As carnes que afinal se espedaçavam!

Mas fiquei por saber se o som tristonho

Era o dessa ovelhinha, n’algum sonho,

Ou era o dos vermes que de mim zombavam!