Ambos

By João da Cruz e Sousa

Vão pela estrada, à margem dos caminhos

Arenosos, compridos, salutares,

Por onde, a noite, os límpidos luares

Dão às verduras leves tons de arminhos.

Nuvens alegres como os alvos linhos

Cortam a doce compridão dos ares,

Dentre as canções e os tropos singulares

Dos inefáveis, meigos passarinhos.

Do céu feliz na branda curvidade,

A luz expande a inteira alacridade,

O mais supremo e encantador afago.

E com o olhar vibrante de desejos

Vão decifrando os trêmulos arpejos,

E as reticências que produz o vago.