AMICUS CERTUS

By Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac

O José como caixeiro,

Era o que se diz— um alho;

Muito amigo do dinheiro,

Muito amigo do trabalho.

Com economiazinhas

Trazia ao dedo um farol,

Dormia com as galinhas,

Acordava antes do sol.

Chamou-o um dia o patrão:

— “Seu José, você merece,

Pela sua correção,

Particular interesse.

Vou lhe dar, repare bem,

A minha melhor partilha:

É sócio deste armazém

E é noivo de minha filha.”

Salta o José de contente,

Não cabe em si o José,

Ri-se, chora, vai p’ra frente,

Volta, gira num só pé...

— “Mas, escute, ela é bonita,

E’ rica, amada dos pais,

Mas, José, cousa esquisita...

Só aquilo... não tem mais.”

O José se desvanece,

E diz com ar bonachão:

— “Oh! por quem é, meu patrão

Ainda que ela tivesse...”