Amigos

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Morto de fome, embora, um negro cão felpudo,

Era, do velho Antônio, a melhor companhia.

Dava-lhe o cão amigo afagos de veludo,

E os espirituais eflúvios da alegria.

Quando a tarde formosa espalhava por tudo

A floração da luz, numa perene orgia,

Num destino fatal, o magro cão, sisudo,

Unido ao velho, a estrada inteira percorria.

Na taverna da praia, o velho se embriagava

De urna maneira tal, que junto ao mar ficava,

Ao comprido na areia, ao comprido no chão...

E a noite chegou, coberta de lestada.

Em que o velho, ao morrer, nessa praia isolada,

Viu ungi-lo de afago o carinhoso cão.